terça-feira, 27 de agosto de 2013

A Falta

E é olhando aquele brilho falso que sinto sua falta. Contemplando o luxo e o grandioso que quero-a de volta. No mesmo caminho, nas mesmas avenidas sempre vejo as mesmas luzes, sem vida, sem voz, sem dor e amor. E nesses grandes centros criados com esmero para edificar poder, se vê e têm o charme, entretanto, como aquele brilho falso de antes, se repete essa pobre riqueza e mais uma vez sinto sua falta.
Aonde se vê esse brilho não se tem estrelas. Onde caminham multidões não existem pessoas, e sinto sua falta.
Vislumbro muitos rios e mares, mas é  sua maresia acalentadora e sua correnteza brusca que me faz falta.
Mas temos palácios de mármores, só se esquecem do alicerce de feno, tanta grandiosidade para falta de gigantes.
Contudo é diante dessa grandiosidade que ficamos
menores,
ébrios,
amnésicos,
frios,
e
                                             saudade.
O que mais sinto falta é da vida.


domingo, 25 de agosto de 2013

O Impossível




Para alguns poucos apenas uma questão de querer. Outros uma questão de ter, ser e sonhar. 

Soberba da Cólera

"Que angústia estar sozinho na tristeza"
É assim que inicia um poema de Vinicius de Moraes, que caia entre nós, poema de uma fase linda do A., neste de forma exuberante fala sobre sentimentos, e logo reflito sobre como podemos SENTIR, o ato em si me contrapõe em três condições diferentes: eu como sentimento, dor e falta.

Sentimento, parte de mim como ser humano que chora, teme e se emociona. Quando conhecemos aquela guria, quando a vovó fica doente ou ao assistirmos aquele filme de drama de 86', nos fazemos humanos. Mas essa contraposição me coloca como ser humano sem sentidos, sem emoção e cabe a mim refletir em como lidaríamos com nossa espécie sem emoção, racionalmente o que seria nossos pais além de progenitores movidos por líbido, ama-los? Sem condição. Amor? Nem próprio.

Dor, nos amedronta só de pensar, mas e se não existisse essa condição de sofrermos por conta de sentimentos,  maquinados pela lógica. Sem dores, amores, apenas sangue e lama, dias iguais como replays de anos atrás. E a prece, diria, se apresse.

Falta, de amor e de sonhos. Racionalmente completos, emocionalmente ignorantes. Sem medo desse e dos outros mundos.

Dos números, só decore o dos amigos. O dinheiro, só o da comida. As roupas, contudo que o cubra (ou não). Percorra o inferno, que é próximo, mas ligue ao paraíso, lá temos amigos.